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  • Allan Veríssimo

Psicose: há 60 anos assombrando nossa imaginação!

Atualizado: há 5 dias



Lançado em 1960, o clássico “Psicose” de Alfred Hitchcock completou agora, em setembro de 2020, 60 anos de existência. Passado todo esse tempo, “Psicose” continua assombrando e marcando a imaginação das pessoas, e com toda a razão.

Baseado no livro de Robert Bloch, que por sua vez baseou a trama levemente na história real do serial killer Ed Gein, “Psicose” tem uma trama que já é conhecida por meio mundo, mas não custa nada relembrar: Marion Crane (Janet Leigh, de “A Marca da Maldade”) é uma secretária que está desesperada para se casar, mas o seu namorado está com dificuldades financeiras. A oportunidade surge do dia para a noite, quando Marion recebe uma tarefa do seu chefe para depositar a enorme quantia de $40,000 no banco. Sem hesitar, Marion rouba o dinheiro e parte na estrada para encontrar o namorado, que mora em outra cidade. Mas Marion acaba se perdendo, e com o estresse e a paranoia a dominando, ela acaba sendo forçada a passar a noite no Bates Motel, um motel deserto e longe da civilização, habitado apenas pelo seu tímido e patético gerente, Norman Bates (Anthony Perkins) e a sua mãe doente e misteriosa. E então...



... bom, o resto você provavelmente já sabe. Mas não havia como as pessoas saberem disso em 1960, quando Hitchcock ficou tão admirado pelas reviravoltas do livro de Bloch, que decidiu fazer de tudo para manter a trama do filme em segredo. Hitchcock comprou todas as cópias existentes do livro e fez questão de orientar os cinemas para que proibissem qualquer pessoa de entrar nas sessões após o início do filme.

Hoje, nós todos sabemos que com apenas 40 minutos de filme, Hitchcock toma a inesperada decisão de matar a protagonista da história da maneira mais brutal possível, na cena do chuveiro. E como se isso já não fosse o bastante, Hitchcock ainda promove o antagonista Norman Bates ao posto de protagonista pelo resto do filme. E é aqui que Hitchcock provou mais uma vez porque era considerado o Mestre do Suspense. Nas mãos de um diretor mais banal e menos ousado, essas decisões criativas arruinariam a imersão do espectador. Ao invés disso, Hitchcock repete o que fez tão brilhantemente em outros longas da sua filmografia, como “Festim Diabólico”, “Pacto Sinistro”, “Disque M Para Matar” e “Frenesi”: fazer o espectador torcer pelo vilão e até ter uma certa antipatia pelos supostos heróis da trama. Prestem atenção na cena em que Norman joga o carro da sua vítima no pântano, e por alguns segundos, Hitchcock sadicamente faz o carro parar de afundar, para o completo pavor do personagem e do espectador.



Realizado com um orçamento consideravelmente barato, fotografado em um preto e branco lindo e com a mesma equipe de produção da série de TV “Alfred Hitchcock Presents”, “Psicose” é do início ao fim um deleite para os olhos e para os ouvidos do espectador. Não só pelas belíssimas imagens e transições típicas do seu diretor (meu predileto é quando a edição corta da água escorrendo pelo bueiro para o olho sem vida de Marion), que aproveitam tão bem o design de produção pelos sombrios aposentos do motel e da casa dos Bates, como também pela trilha sonora de Bernard Hermann, colaborador frequente de Hitchcock, que aqui faz uma de suas trilhas mais macabras. Mas acima de tudo, o maior trunfo do longa será sempre a performance magnifica de Anthony Perkins, que evita que Norman se transforma numa caricatura ridícula. Ao invés disso, são os pequenos trejeitos de Perkins, como a sua gagueira ou sorrisos involuntários que ele dá em momentos de pura tensão, que tornam Norman uma figura simpatia e, consequentemente, trágica.




“Psicose” foi indicado a 4 Oscars: Diretor, Atriz Coadjuvante (Janet Leigh), Fotografia e Direção de Arte, mas infelizmente não ganhou nenhum. “Psicose” também ganhou três continuações: “Psicose 2” (1983), “Psicose 3” (1986”) e “Psicose 4: A Revelação” (1990), todas estreladas novamente por Perkins. Em 1987, houve uma tentativa de realizar uma série de TV que seria um spin-off do filme, mas o projeto fracassou e jamais saiu do piloto. Em 1998, Gus Van Sant comandou uma refilmagem horrível, e mais recentemente, de 2013 a 2017, tivemos a bem-sucedida série e prelúdio “Bates Motel”, estrelada por Vera Farmiga e Freddie Highmore.

Em resumo, o filme permanece lembrado e cultuado, além de ter inaugurado, ao lado de “O Massacre da Serra Elétrica” (1974) e “Halloween” (1978), o gênero slasher movie. E tudo isso é mais importante do que qualquer Oscar.




Allan Veríssimo

Cinéfilo, formado em Cinema e Audiovisual pela São Judas, cursando Jornalismo na Universidade Santa Cecília.

É Diretor, produtor e roteirista, colaborador dos sites Ligado em Série, Cine Alerta e Gelo e Fogo, além de estar aqui com a gente toda quarta-feira abrilhantando nosso blog com seu talento.

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